Quais as chances do treinamento virtual se tornar real?

Quais as chances do treinamento virtual se tornar real?

Uma grande dúvida sobre a eficácia do treinamento com simulador seria qual o comportamento do profissional de segurança diante de uma situação simulada em 3D. Como ele reagiria? Acharia que era uma brincadeira ou se envolveria com a situação? Para muitos poderia ser encarado como um videogame e não levar a sério o treinamento. Mas será que isto é verdade?!

Por isto, foi realizada uma validação com 42 alunos recém formados em cursos de formação de vigilantes (carga horária de 200 horas). Sendo 12 mulheres e 30 homens. Eles executaram diversos exercícios com o simulador e depois participaram de uma atividade de pesquisa exploratória por meio de entrevistas individuais. As perguntas foram realizadas para compreender a percepção de como eles se sentiram realizando o treinamento simulado. Foram executadas três baterias com cada um dos exercícios propostos. No total foram quatro exercícios no simulador, sendo dois de skill drills, um de stand de tiro com alvo de humanoide (7 e 10 metros) e o alvo de quatro cores.

O objetivo foi cruzar os dados da percepção que o aluno teve de si mesmo ao final dos treinamentos com as informações que tinham sido avaliados pelo instrutor presente durante o treinamento realizado. A meta era compreender se por meio dos treinamentos virtuais, os alunos poderiam se auto avaliar e também se os resultados obtidos com a avaliação subjetiva do instrutor diante do desempenho de cada aluno pudesse ser uma referência para uma avaliação objetiva diante dos resultados obtidos durante o treinamento simulado.

Na entrevista realizada com os alunos existiram perguntas onde os mesmos poderiam responder seguindo uma escala de 1 a 4, sendo um para “fraco desempenho” e quatro para “alto desempenho”. Com relação ao conteúdo, as mesmas versavam sobre alguns aspectos relacionados ao desempenho físico e outros envolvia o desempenho com atenção e perspicácia.

Foi possível levantar algumas constatações, como por exemplo, um usuário que possuía baixo preparo físico para realizar uma sequência longa de disparos e isto começou a influenciar na questão da sua atenção com relação aos exercícios. Isto é, quanto mais ele realizava os disparos, o seu braço começava a tremer é sua destreza começava a piorar e os erros a aumentar. Além disso, a sua fadiga também fazia com que sua mente dispersasse aumentando seus erros tanto de atenção quanto de raciocínio rápido. Provavelmente devido a dor por não conseguir manter o braço esticado para realizar os disparos.

Em outro caso, uma usuária não conseguia apertar o gatilho da arma no tempo hábil, perdendo vários disparos e obtendo baixa pontuação nos exercícios. O interessante é que na sua auto avaliação, ela mesmo reconheceu que não estava preparada para atuar em atividades com emprego de arma, pois se precisasse reagir entendeu que não conseguiria executar adequadamente a reação. Situação que quando ela terminou o curso de segurança privada, acreditava que estava preparada. Somente depois de realizar o treinamento com o simulador, ela constatou que não estava preparada para participar de processos seletivos em empregos que era exigido armamento. Quando questionada como ela conseguiu realizar as atividades de tiro prático no stand enquanto estava fazendo o curso de vigilante, a mesma disse que estava com a adrenalina alta e “pilhada” e por isto acredita que tenha realizado. Mas não lembra de nada. Ela fez três baterias de cada exercício, contudo já na segunda bateria começava apresentar as falhas e uma grande dificuldade de “mastigar” o gatilho.

Em linhas gerais, a grande maioria dos alunos aumentaram suas falhas conforme as baterias de exercícios iam sendo realizadas, isto é, o desempenho da primeira bateria para alguns foi melhor do que a última, demonstrando claramente que ao longo de um processo de treinamento continuado, não conseguiam manter o desempenho. Também, notou-se a questão da “sorte” de alguns alunos em determinados exercícios. Como eram realizadas três baterias de cada exercício, alguns alunos se mostraram eficientes em determinada bateria isolada mas em outras não conseguiam manter o mesmo desempenho.

Em determinadas execuções foi possível identificar aqueles alunos com raciocínio rápido em relação a outros. Também foi possível constatar que alguns alunos não conseguiam executar adequadamente os exercícios propostos e deveriam treinar com uma frequência maior para conseguir se adequar a um patamar mínimo exigido. Um ponto de destaque é que 88,09% dos 42 alunos que participaram das baterias gostariam de continuar realizando os exercícios com o simulador sendo que 100% das mulheres demonstraram interesse pelos treinamentos. Inclusive estavam no grupo das pessoas mais interessadas e envolvidas com as atividades.

Para finalizar uma frase que pode ser tomado como parâmetro para aqueles que buscam sair da sua zona de conforte e procuram modificar de forma positiva suas rotinas diárias.

“É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glória, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta, que não conhece vitória nem derrota” T. Roosevelt (ex-presidente dos EUA)

The comments are closed.