Profissional de segurança pode passar 10 anos sem ser acionado, mas não pode passar 1 dia sem estar preparado

Profissional de segurança pode passar 10 anos sem ser acionado, mas não pode passar 1 dia sem estar preparado

Manter o treinamento constante dos profissionais de segurança pública e privada com relação à abordagem perante a população em geral, pode evitar diversos problemas, como por exemplo, um disparo indevido de uma arma de fogo diante de uma atividade rotineira. Este tipo de situação é um fator de relevância social e porque não dizer econômica. O treinamento de abordagem e a frequência com que é aplicada pode evitar o afastamento desses profissionais de segurança da sua rotina de trabalho, haja vista que quando ocorre uma situação de confronto com disparos de arma de fogo, existe um processo interno de sindicância, inclusive com o afastamento do profissional de suas atividades do dia-a-dia. Além disso, pode repercutir negativamente para a imagem da instituição, e até mesmo, sofrer um processo judicial de ressarcimento e danos morais advindo da parte prejudicada.

Atualmente, o treinamento de tiro é realizado em pouca quantidade e espaçado no tempo devido aos altos custos envolvidos, além do trabalho de transporte e mobilização dos grupos de profissionais que precisam ir até o stand de tiro para realizar as atividades. Esses stands não permitem uma interatividade maior, muitos utilizam alvos de papel que são inanimados e fixos. Os usuários são colocados em situações inanimadas e os potenciais alvos a serem alvejados são fixos ou móveis, não transmitindo a sensação de realidade com a qual o usuário irá realmente se defrontar no momento em que estiver prestando seu serviço.

Por isto, em diversos países começou-se a utilizar a tecnologia de simulação para treinar a precisão do disparo da arma de fogo. É o caso do simulador de primeira geração, o chamado simulador de tiro, muito empregado na área de Defesa. Contudo, na área de segurança pública e privada, os profissionais não têm a oportunidade de treinar a observação, impostação de voz, e até mesmo, postura corporal em situações que ele realmente irá se defrontar no momento em que estiver prestando seus serviços no dia-a-dia. A criação dos chamados simuladores de abordagem ou de segunda geração tem o aspecto de envolver mais pontos de interação. Não somente o disparo da arma de fogo como também, o uso de mais sentidos humanos como a voz, movimentos do corpo entre outros. Isto auxilia no aumento do envolvimento e da imersão do profissional que está sendo treinado.

Este tipo de simuladores está alinhado à aplicação da metodologia do uso progressivo da força. Isto é, a ação deverá se dar de maneira compatível a gravidade da ameaça representada pela ação do infrator, sem se desviar do princípio da legalidade que norteia o processo de uma intervenção. É importante comentar que uma arma de fogo pode ser letal; e essa arma de fogo na mão de pessoas despreparadas pode causar um prejuízo moral e social de altíssimo impacto. Por isto deve ser utilizado como última instância para solucionar uma crise. Além disso, uma abordagem truculenta gera na maioria da população um sentimento de não confiança nos profissionais envolvidos com a segurança pública e privada. Causa um sentimento de medo e insegurança diminuindo a qualidade de vida desses cidadãos.

O uso da simulação como técnica de treinamento mostra-se adequada, pois se trata de um meio mais envolvente para transferência de conhecimento, o que melhora o engajamento dos instruídos. Esta técnica é apoiada pelos simulacros, sistemas computacionais e/ou equipamentos que representam o que se deseja simular. O simulador é um equipamento que, em treinamento, reproduz as características de uma atividade e possibilita a operação humana direta. As motivações de se utilizar a tecnologia de simulação para o aprendizado profissional são:

  • Diminui os altos custos de deslocar equipe, alimentação, aluguel de stand, horas extras com os profissionais.
  • Permite a capacitação dos profissionais em ciclos cada vez mais curtos.
  • Baixa os custos com horas extras e insuficiência numérica de instrutores.
  • Permite a repetibilidade para aprimoramento do conhecimento com baixo custo.
  • Auxilia no acompanhamento do progresso dos profissionais.

Além disso, no caso dos simuladores de abordagem, os mesmos permitem um treinamento mais efetivo, propiciando um envolvimento psicológico maior com a ação, passando uma sensação de realidade, aonde a reação, o recuo, o som, a iluminação, irão “transportar” o usuário para um momento real quando estiverem presenciando virtualmente a situação. Este tipo de sistema propõe uma completa quebra de paradigma no processo de treinamento contínuo. Além disso, é importante lembrar que os simuladores foram criados para suprir a necessidade da atual postura da polícia e também da segurança privada que é a utilização de uma arma de fogo como última opção diante de uma situação de abordagem. Antes de atirar, existe todo um processo que vai desde a presença do profissional de segurança realizando uma observação de uma situação de risco, passa pela verbalização, até chegar como última opção, o disparo da arma de fogo.

Por fim, é importante destacar que um treinamento continuado é fundamental para permitir que o profissional exerça adequadamente suas atividades, pois gera uma segurança mental e a real compreensão de sua capacidade de reação diante de uma situação de risco. Com um simulador, não se treina somente a destreza motora, mas sim, a capacidade mental de reação instintiva.

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